Surrealismo Politico
Posted by Filipe Gracio on July 15th, 2010 filed in Crónicasi) Crimes não são erros, são crimes.
Recentemente têm sido noticiadas as conclusões do inquérito militar israelita ao ataque ao navio que tentou furar o cerco de gaza. (1 2 3). O porta-voz militar que os soldados foram “profissionais e corajosos”, mas que houve “erros” no “planeamento” da operação. Tudo isto nem chega ao nível de anedota. Um crime, não é investigado para se considerar se o crime foi bem ou mal planeado e executado. Alguns factos: o bloqueio de gaza é ilegal; defender um crime com navios militares e comandos armados é outro crime; atacar um barco civil em águas internacionais é um crime; assassinar os tripulantes de barcos ilegalmente atacados que se defenderam do ataque é um crime. Um criminoso admitir que planeou o seu crime de forma errada, não significa nada. Nada disto é para levar a sério, o governo israelita sabe disso, e niguém está preocupado.
ii) Relações Tensas?
Recentemente há muitas notícias de relações tensas entre os Estados Unidos e Israel (1 2). De facto há muita conversa sobre o assunto. Mas os factos não encaixam na narrativa. De facto segundo o Congresso Americano, as ajudas económicas anuais para israel vão subir 24% desde 2009 até 2013. A realidade diz que o congresso aprovou o maior aumento de ajuda de sempre. 30 biliões de dolares para os próximos 10 anos. Acrescem ainda benefícios fiscais para organizações que financiam os colonatos ilegais que perfazem um total de mais de 200 milhões de dolares. Isto por si só não tem nada de novo ou supreendente. Interessante é o contraste entre os factos e a percepção mediática do assunto. Quem estiver mal informado pode chegar a acreditar nas notícias de relações complicadas entre Obama e Israel.
iii) Desejo de paz.
Obviamente o mais Orwelliano e surreal de tudo é o professado desejo de diálogo e paz que Netanyahu diz ter. Aqui a honestidade do ministro de Negócios Estrangeiros de israel, Liberman, menos preocupado com a fantasia, tem mais aderência com a realidade: “não há absolutamente qualquer hipótese de se ter em 2012 um Estado palestiniano”. E há uma razão clara: porque israel não o quer. Israel impede movimento de pessoas entre gaza e os territórios ocupados. Israel Insiste na demolição de casas em Jreusalem (1 2 3). As demolições são, claro, ilegais uma vez que isarel não tem soberania legal na parte Este da cidade (decisão do tribunal penal internacional em 2004)
Enquanto diz querer paz, o governo israelita continua a expandir a presença de colonatos em territórios ocupados, tudo obviamente contrário à lei internacional. A organização israelita B’Tselem lançou um relatório onde diz que na prática, embora sem soberania formal (uma vez que o território foi ilegalmente anexado em 1967) israel ocupa e controla 42 % do território que a comunidade internacional diz (na teoria) ser o futuro estado palestiniano.E assim a fantasia continua.
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Portanto à suposta controvérsia e à retórica de desejo de paz, contrapõe-se o facto de israel insistir em desobedecer à lei, roubar terra, roubar a capital dos palestinianos, e muito conscientemente deitar por terra qualquer perspectiva de paz. O interessante é que o assunto passe como tão complicado, tão controverso, e dfícil. Tudo isto tem um objectivo simples: dar cobertura ao desastre que prossegue na vida real, a dos factos, longe do surrealismo mediatico e politico. Tudo com a nossa ajuda, diplomática, politica, ideologica, financeira e militar.
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