Há racionalidade na ponta da língua?
Posted by Luis Azevedo Silva on June 24th, 2010 filed in ObservaçõesA opinião pronta e na ponta da língua é algo que foi possibilitado ou generalizado com a democratização da Internet. É tudo instantâneo (para o bem e para o mal) e todos podem dizer “o que acham” de algo sem deixarem as ideias repousar na mente. Começo a ficar farto disso. Não há paciência. Sempre a mesma atitude contra o Governo, contra os outros, a denunciar a culpa dos outros. E isto pode encontrar-se em vários exemplos.
Hoje leio a edição online do jornal Público e deparo-me com uma notícia sobre multas contra quem desrespeite os avisos nas praias. Porque é a culpa é “dos outros” se eu me deitar debaixo de uma arriba cuja sinalização me alerta para o perigo da queda de rochas? Não é suposto o ser humano estar em todo o lado como se tudo lhe pertencesse. Mas isso já seria outra conversa.
Infelizmente somos um povo que parece precisar de muitas leis e coimas para começar a ter comportamentos racionais (será que somos só nós ou isso decorre da estupidez humana?). Certamente não passamos a ser mais racionais, porque as infrigimos à primeira oportunidade, quando nos apercebemos que uma transgressão “é só uma e a primeira vez” e que ninguém nos apanhará.
Eu também transgrido. Às vezes não páro nos sinais de STOP, se a estrada estiver vazia. Mas na altura de ser apanhado sei que a culpa é minha e o argumento nunca poderá ser: “este sinal de STOP não devia estar aqui” ou “estes gajos andam na caça à multa”. Que andem. Que comecem a fechar as praias. E que comecem também a multar quem vai ao mar com bandeira vermelha e coloca em perigo a vida da pessoa que o vai salvar. E que por vezes lá fica.

June 24th, 2010 at 7:49 pm
Acho que o assunto da falta de racionalidade na ponta da lingua e’ um assunto interessante que vleria a pena analisar mais. E e’ de facto muito relevante hoje.
A questao das multas para comportamentos perigosos varia de caso para caso. Sempre que puser em risco a vida dos outros, aceita-se, se nao, e’ mais dificil. O caso do salva vidas e’ um bom exemplo.
June 27th, 2010 at 5:09 am
concordo que de facto se opina demais, “sem deixar as ideias repousar”.
concordo que se deve ser responsável pelos seus actos, não atribuindo a culpa a outros, quando se erra deliberadamente.
concordo com a criação de leis que impossiblitem os nossos actos negativos, pois só assim (infelizmente, mas necessáriamente) conseguimos conter as acções mais violentas e não só.
e até concordo (em parte) com multas para comportamentos perigosos.
mas também penso, não será igualmente perigoso conter, ou por outra, manter as pessoas num medo constante de errar, não por raciocinio lógico das suas acções, mas por medo de serem “apanhados”, ou medo de pagarem multa?
não fará isso com que as pessoas se tornem ainda mais opinantes de “momento”?
“não se pode fazer nada neste país que se leva logo multa! bolas! o que está a dar é fazer tudo ás escondidas.”
não será este pensamento igualmente negativo e perigoso?
fazer ás escondidas. penso que isso traz uma carga negativa que possibilita cometer uma má acção duplamente mais negativa, “pois se ninguém vê, mais vale fazer a sério.”
percebem onde quero chegar?
não é que pense que está errado a questão das multas.
como disse têm de haver leis para os humanos, é inevitável.
mas abrem-se tantas perguntas que uma pessoa fica a pensar “mas que raio é que podemos fazer?”