Bullshit.

Posted by Ruben S on May 12th, 2010 filed in Observações

A televisão pública não é democrática. Se fosse, haveria lugar no telejornas para as vozes públicas que discordam deste espalhafato por causa do papa. De certeza que há pessoal com algum peso cultural neste país que se opõe a todo este circo da máfia católica apostólica romana, que eu suponho que o Estado apoia por causa das negociatas e diplomacias que convém manter. Para além de que há muito povo que é contra isto. Não acredito que a multidão que se aglomerou ontem no Terreiro do Paço para ver a rainha da Igreja e que vai a correr a Fátima celebrar o esplendor da ignorância represente o povo português. Não pode ser. As pessoas são mais espertas do que é suposto serem. Se fosse noticiável, a esperteza do povo seria inconveniente.



2 Responses to “Bullshit.”

  1. filipe Says:

    Mas, e se posso perguntar: que sentido fazes do meio milhão de pessoas que foi a fatima? meio milhao!

    Acho que a minha pergunta é: será que se as pessoas decidicem, a rtp não passava tanto tempo a seguir o ratzinger?

  2. Ruben S Says:

    Meio milhão é menos de 5% da população portuguesa. Depois há os que acompanharam as festas pela televisão, e esses sim, esses são muitos. E há os que são católicos porque os outros são. É o mainstream. E é assustador quando há apenas o mainstream, que foi o que houve na RTP quando cá esteve o Papa, porque quase só entrevistaram pessoas que gravitam à volta do Papa. Porque é que os camaradas da esquerda ateísta e anti-clerical não foram ouvidos? É para isso que serve a oposição. Isto é, se houver canais para a expressão da oposição… Por isso é que eu digo que a televisão pública não é democrática. Favorece a maioria porque a maioria gosta que se favoreça a maioria, porque é a maioria que consome mais os produtos que são publicitados. Mas isto não é democracia, é vício de mercado. E as pessoas não são mercadorias, são mais complexas do que isso.
    Porque o Zé não se define assim, olá, sou o Zé e sou católico, venho aqui ver Sua Santidade, não, ele é mais do que isso. Ele é muita coisa e é muitos. E a obrigação de uma televisão pública é expressar o povo, e não apenas uma parte deste.
    Mas quanto à tua pergunta, para responder directamente, se as pessoas decidissem, se as pessoas decissem mesmo, não havia ratzingers, nem papas de qualquer tipo, nem igrejas, porque se as pessoas decidissem seriam livres. Como não há liberdade, há RTP. Que não pode ser unilateral.

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