E pensar, também foi “O Pai” que me ensinou?
Posted by Ruben S on May 10th, 2010 filed in CrónicasVem aí o Papão. Vem papar as mentes, já que não pode papar os cus… Estando ele próprio absorto no jogo da manutenção do mito, para que este não se dilua nas sombras do racionalismo científico e do consumismo desenfreado, quer que os outros também se deixem alhear no jogo, que perdura apesar da evolução das consciências. A realidade é demasiado cruel, por isso foi necessário inventar Deus. Mas Deus é apenas a mente humana vestida pomposamente de branco e ouro, prostituída à fantasia e crendo-se imortal, como se tal fosse possível. A religião serve para abolir a inteligência, é a realização do desejo de esta se negar a ela própria, isto é, o suicídio da inteligência. Cristianizar a mente é dogmatizar a mente, enjaulá-la como se faz a um leão impaciente chegado ao jardim zoológico, até que este definhe e acabe por comportar-se como um peluche de estimação com movimentos mecânicos. O cristianismo é a abdicação da mente. É a liquidação do ser.
Depois há o socialismo, que é outra forma de liquidação do ser, como qualquer ismo. Nesse aspecto, não é diferente do cristianismo. Mas, ao contrário da religião, o socialismo afirma a autonomia do ser humano, em vez de o colocar sob a alçada de um ser fictício detentor de todos os poderes do universo. Só que o socialismo está em vias de extinção. Os partidos que o representam, incluído o Partido Socialista, estão subjugados a outra divindade, que é o capital. O capital determina as regras de conduta dos governos, tenham eles uma ancestralidade de esquerda ou de direita. O capital determina as diplomacias forçadas entre os Estados, incluindo a comunicação entre o Vaticano e o Estado Português. E esquecem-se por isso coisas fundamentais que já só são importantes na teoria. Por isso, não se pode dizer que Portugal seja um estado laico. Caso restem dúvidas, aconselho a leitura de um texto escrito por Fernanda Câncio em Outubro de 2005, “Estado laico, mas pouco”. A jornalista reporta hábitos e leis que contradizem a Constituição. Vícios anti-democráticos que deviam deixar de existir.
A atitude do Estado face à visita do Papa é um desrespeito pela Constituição e por um princípio democrático fundamental, que é o da separação entre o poder político e o poder das instituições religiosas. Está certo que o Vaticano é também um Estado, mas nesse caso o Papa não poderia ser tratado de maneira diferente de um Sarkozy ou de um Obama, certo?
Eu já não percebo nada disto. Tragam lá o sumo-sacerdote teutónico, quero lá saber… Pode ser que haja um milagre e apareça dinheiro e empregos para toda a gente.
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