Assassinatos

Posted by Filipe Gracio on February 21st, 2010 filed in Crónicas

Se um membro da ETA matar um membro da guarda espanhola, isso é errado e todos diriamos que é terrorismo. Se alguém na  venezuela assassinar um comandante da CIA isso é errado, e todos diriamos que isso era perto de um acto de guerra.

E quando a Mossad (a policia secreta de Israel) assassina um comandante do Hamas, isso não é diferente (ver aqui, aqui e aqui). Se isso for permitido então o inverso também tem que ser premitido, e temos que considerar legítimo que palestinianos assassinem comandantes Israelitas ou Americanos. Eu não considero legítima nenhuma das situações, e quero que a Europa não considere legítimo que qualquer país decida arbitrariamente levar a cabo assassinatos politicos daqueles que chama inimigos.

Israel tem uma longa história de desrespeito pela lei, e por qualquer sistema judicial (que não o próprio), e revoga-se o direito de assassinar indiscriminadamente sem ofrecer justificações – aqui e aqui. Nada disto é segredo e por isso é interessante ver a suposta onda de “indignação” que os chefes de governo de alguns países estão a fazer passar.

Não é possível acreditar que algo disto é verdadeiramente sério. Se fosse um resposta genuina guiada por uma crença de que esta foi uma acção errada, então todas os exemplos de acções (assassinatos e raptos) anteriores teriam tido consequências. Como é óbvio não tiveram, e não têm. A conclusão é óbvia: se nunca houve problema em assassinar e raptar, desta vez também não há.

A pergunta que sobra é então: porque é que o reino unido e outros decidiram  levantar o assunto? Dois motivos: para fingir que se preocupam, e para enviar uma mensagem de que os próximos assassinatos politicos têm que ser às escondidas, sem envolver nenhuma cumplicidade europeia. Na verdade o que desagradou os europeus, foi o facto de terem sido usado passaportes europeus. Uma espécie de: “faz o mal que quiseres, desde que não nos envolvas”. Como europeu eu não quero que o mal seja feito às escondidas, quero que não seja permitido, ou no mínimo, criticado!

As noticias, como de costume, são o espelho da opinião politica que centra a questão nos passaportes ignorando por completo o assunto do assassinato politico. Um resumo das reacções dos media ingelses aqui. A impresa israelita (como seria de esperar) por seu lado, acha que o problema está em não terem conseguido esconder o crime – mas não o facto de crime existir.

Os assuntos internacionais são uma espécie de máfia. Uma máfia minimamente educada e controlada, mas no essencial a lei é irrelevante e o principio operacional é o do poder do mais forte. Agora os nossos chefes são aliados do Padrinho em controlo, e por isso aceitamos todos a máfia.

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