Qual lei?
Posted by Filipe Gracio on December 19th, 2009 filed in CrónicasDiga-se já: A violência palestiniana é condenável, a violência de Israel não justifica ataques suicidas, eu (e qualquer pessoa de bom senso) não é pro-hamas nem a favor da morte de israelitas. Nisso estamos todos de acordo. Isso não vale a pena discutir (embora convenha não esquecer!). Mas há uma parte em que não estamos todos de acordo, e nisso vale a pena insistir. Insistir até que as coisas mudem. (Para evitar que certas patetices sejam ditas (como aqui e aqui))
Israel ocupa ilegalmente territórios na Cisjordânia e para além da ocupação, lá constrói colunatos ilegais. Tudo à margem da lei, tudo irrelevante. Porque condenar a ocupação Russa da Geórgia por exemplo, todos condenamos, mas Israel fica por condenar nas vozes da elite. Porquê?
Israel cometeu crimes de guerra no massacre de Gaza do inverno passado (2008-2009), dos quais alguns detalhes podem ser encontrados aqui. Este relatório foi confirmado pelas nações unidas. De novo, os crimes de guerra dos terroristas sauditas, ou afegãos ou paquistaneses, ou palestinianos, os políticos condenam publicamente. Mas estes não. Estes são irrelevantes, estes crimes de guerra ficarão por punir. Porquê?
O mais recente episódio: um tribunal inglês emitiu um mandato de captura da ministra dos negócios estrangeiros israelita na altura do massacre de Gaza.
A resposta dos governos israelita e inglês foi espantosa. Israel claro (consistentemente com as suas acções na cena internacional) opôs-se ferozmente a qualquer aplicação de qualquer lei sobre si. Dizendo que lei, e os tribuanis não passam de “perversão” e “assédio” que deviam “embaraçar” o reino unido, – ver aqui e aqui. Nenhuma surpresa.
Mas o mais engraçado mesmo foi ver a reacção do governo britânico que rapidamente se apressou a desculpar e a esclarecer que a lei não era para levar a sério. Explicando que Israel é um “amigo próximo” e que tal coisa (o cumprimento da lei por parte de um juiz independente) “nunca mais iria acontecer”. Ver aqui . Acrescentando finalmente que, como a lei é suposto ser uma daquelas coisas para cumprir e o estado não pode dar maus exemplos, a questão resolve simplesmente: mudando a lei para acomodar o “amigo próximo” . O “amigo próximo” que constantemente ignora a lei internacional, as leis da guerra, e agora a lei inglesa.
Leave a Comment