Eleições Americanas

Posted: January 26th, 2012 | Author: | Filed under: Observações | Tags: , , , | No Comments »

Hoje de manhã ouvi um monólogo interessante, nas minhas viagens matinais a caminho do emprego. Durante uma hora Dan Carlin falou de vários assuntos (download): da proposta SOPA, à urina dos soldados americanos, passando pelas primárias americanas.

Um dos pontos interessantes foi o seu discurso sobre a capacidade do sistema eleitoral americano (será que o posso acusar assim?) em produzir adversários que não estão ao nível dos presidentes em funções. Apontou o dedo ao modo como as primárias são conduzidas (com Estados a terem demasiado peso na decisão do candidato) e aos adversários de Regan, Nixon, Bush, Clinton, o outro Bush (com Kerry) e agora Obama.

Deixou também no ar uma ideia: será que Obama-presidente conseguiria acompanhar a pujança do debate e discurso de Obama-candidato?

Para Dan Carlin, o novo adversário do presidente dos E.U.A., qualquer que seja, também não terá hipóteses;  para ele é garantida a reeleição de Barak, até porque este parece estar a jogar uma cartada populista dirigida à classe média.


Europa – Divida

Posted: November 14th, 2011 | Author: | Filed under: Crónicas | No Comments »


Timor – Santa Cruz.

Posted: November 14th, 2011 | Author: | Filed under: Crónicas | No Comments »


O início do fim das touradas

Posted: September 29th, 2011 | Author: | Filed under: Observações | Tags: , , , | No Comments »

Aguardamos com expectativa pelo alastrar desta decisão a outros pontos da Península Ibérica e do Mundo.
O post peca por ser tardio mas nunca deixa de ser válido.
Daqui a umas largas décadas, ou talvez nem tanto, iremos questionar como foi possível deixarmos chegar tão tarde este ponto final.
Que continua adiado para a praça de touros mais conhecida em Portugal.

Notícia Expresso


Madeira

Posted: September 29th, 2011 | Author: | Filed under: Observações | Tags: , , , | No Comments »

Deixo um pedaço da História nacional que se passou ainda com o Governo Sócrates. Nomeadamente, o ministro das finanças Teixeira dos Santos. Para os que têm memória curta. Isto passou-se no início de 2010.

Teixeira dos Santos aponta o despesismo da Madeira e a dívida conhecida até aquela altura. Mais tarde, numa votação na Assembleia da República, todos os partidos, à excepção do PS, votaram a favor do aumento do endividamento das regiões autónomas.

Vídeo
Notícia Expresso


3ª Vaga

Posted: September 2nd, 2011 | Author: | Filed under: Crónicas | Tags: , | No Comments »

A previsão é assustadora. Segundo um estudo inglês, o nível de desigualdade salarial entre homens e mulheres no UK tem vindo a diminuir tão lentamente que (a este ritmo) só daqui a 100 anos é que haverá igualdade salarial (o exemplo é para quadros executivos médios). Estaremos todos mortos; a igualdade salarial será algo para o fim da vida dos nossos netos.  Mas para portugal é pior: o UK está em décimo quinto lugar no ranking de igualdade de género no relatório do forúm económico mundial, ao passo que portugal está em trigésimo quarto (por aqui a igualdade salarial terá que ficar para os nossos bisnetos ou trisnetos).

Enganam-se aqueles que pensam que a igualdade salarial é para ver quem pode comprar mais coisas bonitas. A desigualdade salarial não é só uma questão de riqueza, é uma questão de acesso à educação, acesso à saúde, acesso à cultura, poder negocial etc. E a verdade é que, apesar da tendência global de igualdades na educação e qualificação, o mesmo relatório mostra-nos que, em portugal, por funções idênticas,  as mulheres tendem a ganhar apenas 58% do que os homens ganham  - neste critério estamos directamente acima da Tanzânia e de Madagáscar. O niveis de participação e representação  na vida politica estão a um terço dos lugares do parlamento ou ministeriais – aqui ficamos directamente acima da Tanzânia e do Lesoto. Toma lá Tanzânia.

Mas o problema é generalizado, mais grave e tem outra dimensão – mesmo nos paises educados iqualitários da europa. Isto está ilustrado na figura seguinte.

Esta figura mostra dois tipos de problemas: um directo e um indirecto. O problema directo é que em todos os paises europeus, as profissionais graduadas ganham de facto menos do que os seus colegas masculinos. Isto é ilustrado por todos os círculos brancos correspondentes ao feminino denotarem salários mais baixos. Mas o grave problema indirecto mostra a dimensão mais insidiosa do problema: as barras coloridas denotam as expectativas femininas e masculinas de salários, e o que indicam é que em todos os casos as mulheres, estudantes em universidades de topo nos seus países, já esperam ganhar menos (as barras vermelhas são mais pequenas que as azuis). Ou seja, as mulheres com educação universitária (em média) internalizaram uma cultura de desigualdade. E qualquer um sabe que expectativas afectam resultados: padrões mais fracos, objectivos negociais mais baixos, aceitação de piores ofertas e condições, etc.

Estamos hoje num momento particularmente perigoso para o avanço da igualdade. Se há um século estava explicitamente inscrito na lei que as mulheres deveriam ser desiguais, e isso despertou a consciência da primeira vaga de feminismo, hoje a situação é menos óbvia e o problema mais escondido e para além da dimensão explícita das piores condições materiais, tem uma dimensão implícita de abaixamento de expectativas. Estamos numa situação em que, em média (haverá excepções), as mulheres educadas dos paises desenvolvidos por um lado acreditam estar em sociedades iguais com aspectos vestigiais de discriminação, mas elas próprias, em média, assimilaram a discriminação sem se aperceber. A ilusão do que o caminho está aberto, e o plano equilibrado, é uma das maiores barreiras ao progresso de hoje. (Já escrevi sobre isso, e insisto que ninguém está imune)

 

Em termos de resposta, alguns desenvolvimentos merecem séria desconfiança. Um exemplo é a mais recente iniciativa associada ao feminismo a chamar atenção mediática.  As slutwalks foram protestos organizadas em várias cidades por todo mundo, o original apareceu como um repúdio (merecido) a um comentário sexista de um policia canadiano que disse que as mulheres não se deviam vestir como prostitutas se não queriam ser assediadas. As marchas pretendem recuperar os termos derrogatórios e o direito a comportamentos sexualmente livres. O objectivo é relevante, mas não escapa aos mais atentos alguma ironia: não é de todo claro o que estas manifestantes da terceira vaga de feminismo ganham ao desfilar com orgulho na roupa interior que as manifestantes, suas mães e avós, da 2ª vaga nos anos 50-60 queimavam em contentores como símbolos da opressão masculina. De facto, as slutwalks fazem parte de uma tendência dos últimos anos em que as manifestações mainstream de poder e emancipação feminina parecem estar principalmente concentradas no campo dos hábitos e costumes, relegando para segundo plano as condições materiais e de participação cívica, politica, e económica. Onde é que estão as marchas da terceira vaga feminista a favor de igualdade salarial, condições de matenidade, igualdade na família, igualdade na progressão na carreira, representação política, etc?

 

Em suma: a desigualdade é generalizada (e grave em portugal), internalizada por todos (homens e mulheres) e o foco de atenção está mal calibrado. Uma terceira vaga de mudança democrática e de melhoria na igualdade de direitos, tem que dar no mínimo tanta atenção às condições de participação cívica, económica, e laboral, como às de vestuário e emancipação sexual. A informação está disponível e ignoramo-la ao nosso perigo. A heroína do feminismo de hoje não só veste o que quer, mas também está informada sobre as  injustiças cívicas  que ainda a afectam; e exige não só liberdade total do corpo, mas também reconhecimento justo das capacidades que tem lá dentro.

 


on the multi-ethnicity of the well-being of societies

Posted: July 31st, 2011 | Author: | Filed under: Crónicas | No Comments »

It’s raining here, baby. Endlessly raining. It’s the Devil’s endless piss, running down from sad grey skies above me. With all this mellow shots I get a will to cry, but I just stay put and silent. I’m a big boy now, away from you. If you were here with me, I would take you outdoors and we would dance in a crazy way. But right now the world seems more menacing than when you were around. I keep staring at the unstoppable rain and make strange comparisons and realize the self-evidence of certain ugly facts. Like the fact that, just like this dull sad rain, those who rule us have also no fatigue and cannot be controlled. There’s rage and bitterness in my thoughts. The ruling classes are giving me headaches. I’m getting back to what I was. I feel the world too much. I want to rebel, but I cannot. I’d rather survive. I could easily grab a bottle of cheap wine and drink it all at once to get it out of my system, but I’m done with doing that. Instead I come here and write. It’s the old away. You see, words, unlike me, can rebel. They have no flesh and cannot be killed. They keep pacing inside my head, punching my nerves for the way out. I can’t scratch my head inside. My hatred is abstract. These words are dangerous creatures, but I let them be. They want to make a huge mad sculpture. Someday they will… But these days are not poetical. Metaphors are not fashionable. Sentences are supposed to convey direct meaning. Messages are ought to be on the nose.
Because pain is also on the nose. You realize it by gazing at the TV. Although facts are black and white, remote and bar-coded to serve those in the business, you can’t help but feeling in touch with the faces on the screen. How about those kids in Norway? How about their parents? Murder is not Norwegian. What happened there happened everywhere. The rise of nationalism and right-wing extremism is also happening everywhere. It’s a collective psychological reaction to a global economic crisis. Can’t get a job? Blame it on the liberal society opening doors to hoards of foreigners. Soon, what was once a strictly individual issue of looking out for your bread and butter, gives many of those in possession of a national identity card entitlement to feeling good about shutting the door. Problem solved. Others extend this awareness on immigrants to security concerns. They just won’t let their kids get into trouble due to brown-skinned misbehaving adolescents, either by being publicly victimized by them or by aligning in their rage. These odd relationships are little by little getting popularity among taxpayers, who will not subsidize foreigner’s well-being and crime. Of course this judgment is ill and lacks depth and knowledge of the plain facts. I mean, isn’t much of the cultural and economic strength of a nation due to multi-ethnic coexistence? But these are the days, as they always have been… The ugly truth about societies. Disquiet promotes rage, alienation, pernicious creativity and violent thoughts. It has been an historical phenomenon. But we cannot disregard the evolution of morals. Some future day it won’t matter where you or your parents come from, or how Caucasian, African or Chinese your genetics is, because what is common in human individuals is so much greater than what is different…
And so it is… It has stopped raining at last!


Recursos, Preocupações, e Prioridades

Posted: July 29th, 2011 | Author: | Filed under: Crónicas | No Comments »

Numa conferência sobre alimentação e fome organizada pela ONU em 2008 havia “pouco desacordo sobre como resolver” o problema de acesso e custo à comida e “o seu impacto nos mais pobres do mundo”.  O problema claro era arranjar os fundos necessários: 30 biliões de doláres. Os fundos não se arranjaram, os problemas agravaram-se.

Em relação à recente fome no corno de África que ameaça de morte milhões de pessoas, e à falta de meios disponibilizados para a ajuda, um trabalhador de ajuda humanitária diz à BBC: “Devia ter funcionado um sistema de alerta inicial, mas qual é o sentido de avisar o mundo quando o mundo não está a ouvir?”. E continua a fingir que não ouve.

A maior seca dos últimos 60 anos fez com que 11 milhões de pessoas (o equivalente a toda a população de portugal) necessitem de ajuda humanitária, quase 7 milhões já estão a viver à custa de rações, há dezenas de milhares de novos refugiados todas as semanas, e a subnutrição afecta 50% das crianças que chegam aos campos, causando a morte de 4 em cada dez mil por dia. Para combater o que um responsável da ONU chamou o maior desastre humanitário do mundo, a  ONU pediu agora $2b a paises doadores. A resposta dos governos do mundo (sempre com “intervenções humanitárias” na ponta das suas armas) foi de apenas metade do necessário e está a faltar entre $1b e $800m.

As quantias de dinheiro necessárias parecem grandes até as compararmos com outros gastos dos países ricos: por exemplo para responder à crise financeira de 2008 (isto é, antes da crise das dividas soberanas que estamos agora a viver)  os Estados Unidos gastaram $700b  na ajuda às instituições financeiras, o Reino Unido $680b, e a Zona Euro $1378b. Tudo estimativas para gastos a fim de 2008. Para quem tiver dificuldades em fazer as contas, o bilião que falta agora para ajudar os 11 milhões de pessoas que podem morrer de fome, é 0.07% do que a europa gastou para salvar os seus bancos em 2008. Outra comparação interessante e mais contemporânea é a do último pacote de ajuda que os governos Eurpeus prometeram à Grécia: $103b. Este pacote vem com juros de 3.5% ao ano, que é como quem diz $3.5b por ano. A conclusão é que com uma quantia equivalente a  um terço do lucro com juros apenas do primeiro ano desse empréstimo, pagava-se a quantia ainda em falta para ajudar aqueles que sofrem uma das maiores catástrofes humanitárias de sempre. E os países não são todos iguais: os EUA são responsáveis por um quarto de toda a ajuda ao desenvolvimento no mundo e o maior doador internacional; e por exemplo um país com enormes problemas de pobreza como o Brasil, ofreceu às vitimas da seca em África mais do que a França e a Alemanha combinadas (a Itália não ofreceu nada).

Se achamos estes factos problemáticos, então o corolário é que temos que exigir que os nossos governos aumentem a despesa que fazem com fins humanitários – algo que no fim é sempre pago pelos contribuintes. Se não queremos aceitar estes gastos, marginais quando comparados com as outras prioridades dos nossos estados, então temos que doar individualmente mais do que já o fazemos. Se por outro lado nada for feito por governos e cidadãos  então resta  aos milhões de sub-humanos que agora se amontuam em campos de refugiados no Quénia, Somália e Etiópia esperar e tentar evitar a morte.

Uma coisa é certa, tal como em 2008 quando Ramzy Baroud escreveu o seu artigo,  os factos mostram que se uma tragédia maior que a actual não for evitada, então o problema  ”não é falta de recursos, mas a ausência de uma verdadeira preocupação pelos pobres no mundo”. Falta de preocupação nossa e dos nossos governos.

 


Terrorismo xenófobo – um diagnóstico errado

Posted: July 26th, 2011 | Author: | Filed under: Crónicas | 3 Comments »

Um sentimento e reacção comum aos atentados terroristas em Oslo é ecoado por, entre outros, Miguel Sousa Tavares: O incidente “não terá ramificações perigosas”, e o autor “é simplesmente um homicida patológico”. Se por um lado é óbvio que quem mata aleatoriamente dúzias de civis inocentes tem algo de “patológico”, já por outro a ideia de que se trata “simplesmente” disso, é uma análise (essa sim) simplista – e medíocre.

Só quem não está atento aos últimos anos de avanço de xenofobia e racismo na Europa pode genuinamente estar surpreendido com o que aconteceu e achar que isto se trata de algo simples e isolado. O contexto europeu onde o terrorista actuou é um onde o avanço do racismo e intolerância têm sido crescentes (1, 2, 3). Este extremista lunático é, não obstante, um lunático racista e xenófobo. E só por ingenuidade e/ou ignorância se dirá que as manifestações patológicas do seu extremismo, são independentes das plataformas culturais que estas encontram para se exteriorizar.

Sobre este incidente há ainda muito por saber, mas é certo há muito tempo que a Europa tem um problema muito sério de intolerância. Há certamente responsabilidades para todos os lados e, neste último caso, os actos responsabilizam apenas quem os cometem. Mas fingir que estamos perante um “simples” acto isolado “sem ramificações perigosas” de um “homicida patológico” sem implicações maiores ou ligações fenómenos mais vastos, é juntar a um problema sério um diagnóstico errado.


A Europa ao Serviço da Violência.

Posted: July 8th, 2011 | Author: | Filed under: Crónicas | Tags: , , , , , , | No Comments »

“[Quando] um soldado, por razão nenhuma, se sente à vontade para matar 3 crianças à frente do seu pai,  depois matar uma mulher idosa e ainda destruir a ambulância que os veio ajudar [...] isso revela algo sobre a alma de um exército”.

- Desmond Travers.

Desmond Travers é um dos responsáveis pelo relatório da ONU sobre o massacre de 2008/2009 em Gaza. Mas então o que tem feito o exército israelita? E de que forma é a Europa vergonhosamente ajuda em tudo isto?  Comecemos por perceber bem a gravidade do crime de que somos cúmplices.

A Cruz Vermelha diz que a ocupação e cerco de Gaza, que precede a invasão de 2008/2009, são “uma clara violação das obrigações de Israel ao abrigo do direito internacional”.

Human Rights Watch (H.R.W.)  diz que o cerco é uma  “violação da lei internacional” e um “castigo indiscriminado contra uma população civil”.

ONU diz que o cerco de gaza  ”retira aos civis Palestinianos os seus meios de susbsistência, emprego, habitação, água e liberdade de movimento” e que é um “possível crime contra a humanidade”.

Amnistia Internacional (A.I.) diz que o cerco é um “castigo colectivo de 1.4 milhões de palestinianos em clara violação de Lei Internacional”. Salientando que 80% das pessoas em gaza estão, por causa do cerco, “dependentes de ajuda internacional”. O cerco Israelita causa  ”desemprego em massa, pobreza extrema, e insegurança alimentar”.  No cerco imposto “as forças israelitas bloqueiam e impedem prepositadamente a chegada de ajuda humanitária. Atacaram comboios humanitários, centros de distribuição de ajuda e pessoal médico”. Israel prende em gaza “estudantes e trabalhadores que necessitam de viajar para continuar estudos ou empregos”  e também  ”pessoas com doenças sérias que necessitam de cuidado médico”. Um exemplo relatado é o de Samir al-Nadim que foi proibido de sair do Hospital em gaza e cuja operação ao coração foi atrasada 22 dias acabando por morrer no hospital em Nablus.

Este é um cerco e uma ocupação que a Europa parece estar determinada em manter (a isso voltaremos). O cerco permite também ao exército israelita lá operar com impunidade. E o que se passou na ultima operação militar em 2008/2009?

Segundo a A.I. um cessar fogo foi quebrado quando israel entrou em gaza e matou seis Palestinianos a 4 de Novembro de 2008. Começando com a violação israelita, as hostilidades  progrediram até à operação de 27 de Dezembro quando Israel invadiu e destruiu Gaza. ONU diz que a invasão de 2008/2009 foi um “ataque deliberadamente desproporcionado concebido para castigar, humilhar e aterrorizar uma população civil” assim “aumentando o seu sentimento de dependência e vulnerabilidade”.

Nesse ataque, a A. I. diz que foram mortos 1400 palestinianos, crianças e adultos; “milhares de casas, escritórios e espaços públicos foram destrúidos. Bairros inteiros arrasados. Electricidade, água e esgotos gravemente danificados”. Destruição “prepositada e deliberada que não pode ser justificada por fins militares”.  Mas a escala do crime fica mal explicada por estes números e se ignorarmos alguns dos exemplos de crueldade demonstrada.

A saber (citações dos relatórios da H.R.W. e da A.I.) :

Alguns são os relatos de soldados israelitas matarem civis com bandeiras brancas onde é dito que “em cada um dos casos, as vitimas estavam paradas ou a andar, ou em veiculos lentos com outros civis desarmados e estavam a tentar comunicar o seu estatudo de não combatentes acenando bandeiras brancas”. Num dos incidentes, a 7 de Janeiro, “duas mulheres e três crianças estavam em pé fora de casa [...] segurando pedaços de tecido branco quando um soldado israelita abriu fogo, matou duas raparigas, de 2 e 7 anos, e feriu a avó e a terceira rapariga”. Testemunhas, provas balísticas, e provas forenses  ”indicam que o soldado disparou depois de saber que se tratavam de civis desarmados”.

Mas na verdade “centenas de civis foram mortos por ataques israelitas usando armas de extrema precisão e longo alcance”.  As vitimas “não foram apanhadas em fogo cruzado ou escondendo combatentes mas foram antes mortas nas suas casas enquanto dormiam, faziam tarefas diárias ou brincavam. Vários civis, incluindo crianças, foram mortos à queima roupa quando não eram de qualquer forma ameaça para os soldados. Médicos e ambulâncias foram repetidamente atacados quando socorriam feridos, resultado em várias mortes”. Por exemplo a 6 de Janeiro  ”vinte e dois membros da família al-Daya, a maioria mulheres e crianças foram mortas quando um F-16 bombardeou a sua casa”.

O relatório da H.R.W. diz que o exército de Israel “detonou repetidamente fosforo branco [uma arma explosiva indiscriminada] no ar sobre áreas populadas ferindo e matando civis, atingido entr outros, uma escola, um mercado, um armazém humanitário e um hospital”.  O relatório diz ainda que o uso desta arma em áreas densamente povoadas é uma  ”indicação de crimes de guerra”  e que o seu uso foi um de “padrão e politica e não de acidente ou circunstância”.  Israel “continuou a usar a arma apesar de avisos repetidos da ONU sobre o perigo para civis”.  A A.I. completa os testumunhos desta arma usada ilegamente com o exemplo de “Abu Halima e das suas quatro crianças que foram mortos no ataque à sua casa”, e de como depois “os soldados israelitas mataram à queima roupa os seus primos que tentavam levar as crianças queimadas para o hospital”.

O exército não se fez rogado em atacar pessoal médico e humanitário. Por exemplo a escola da primária instalada pela ONU foi atacada. Nesse ataque “duas crianças, Muhammad al-Ashqar e o seu irmão Bilal, (idades 5 e 7) foram mortos” juntamente com dezenas de outros mortos e feridos. Exemplos de ataque a pessoal médico (para além do ataque directo a hospitais) estão também relatados. Num caso “três médicos - Anas Na’im, Yaser Shbeir and Raf’at al‘Al – foram mortos a 4 de Janeiro por um missil enquanto se aproximavam de dois feridos. Um rapaz de 12 anos, Omar Ahmad, que lhes mostrava o caminho, foi também morto.”

E foi assim que morreram a maioria das 1400 vitimas do ultimo massacre em gaza, civis, desarmados, mulheres e crianças. Os exemplos abundam e não vale a pena citar mais casos idênticos e revoltantes dos relatórios para perceber o padrão de comportamento do exército que cerca e ocupa os territórios palestinianos e, em especifico, gaza.

E assim chegamos à nossa responsabilidade em tudo isto. Como tem ajudado a Europa? Em primeiro lugar, a Europa vende ao exército parte das armas necessárias para que tudo isto possa ser levado a cabo. A última estimativa publicada no relatório Fueling the Conflict da A.I. dava conta de, em 2008, uma venda anual de duzentos milhões de euros em armas para Israel. Em segundo lugar, a Europa assiste com ajuda diplomática por exemplo agora manifestada com a alemanha e outros estados europeus a prepararem-se para se opor ao pedido de reconhecimento de Estado que os Palestinianos pretendem fazer junto da ONU. Mas o exemplo mais recente de assistência aos crimes começa a ser um embaraço humilhate para qualquer europeu.

Há pouco mais de um ano, vários barcos civis com passageiros de várias nacionalidades (incluindo da UE), foram atacados em águas internacionais por comandos israelitas. Num barco de bandeira turca os comandos mataram 9 civis a bordo. O barco navegava para gaza com ajuda humanitária e os turcos, insuficientemente civlizados para serem aceites na EU, exigiram um pedido de desculpas de Israel e cortaram relações diplomáticas desde então. Da Europa, claro, nem um pio. Acontece que este ano outros barcos civis tentam de novo quebrar o cerco (que é uma “violação da lei internacional”) desta feita partindo da Grécia. Mas agora Israel conta com a ajuda preventiva dos governos Europeus que não aceitam que o crime seja questionado e interrompido e que estão sempre disponiveis para ajudar na sua implementação. Assim a policia grega foi instrumentalizada pelo seu governo, às ordens de Israel e com a complacência dos outros governos europeus, para impedir os barcos de sair do porto. Igual fez o governo Francês que proibiu civis de irem de avião para israel para participar em demonstrações. Demosntrações claro são só para os outros, e não são para ser toleradas se forem um embaraço para os governos da Europa. E assim Israel consegue que a europa seja o seu policia à distância. É a isto que estamos reduzidos. Devia haver limites.

Os civis em gaza, vitimas de “pobreza extrema” e de um “possível crime contra a humanidade”, que são alvos de uma estratégia “concebida para castigar humilhar e aterrorizar uma população civil”, podem admirar à distância a generosidade da Europa e o seu compromisso humanitário na Líbia na sua missão “destinada a proteger civis”. Mas se por acaso os habitantes de Gaza notarem alguma hipocrisia quando a europa insiste em ajudar a tornar possível o seu sofrimento, podem esperar enquanto (nas palavras de Mary Robinson, ex-comissária da ONU, ex-Presidente da Irlanda, e premiada pela A.I.) “toda a sua civilização é destruída”. Perante os nossos olhos e com a nossa ajuda.

 

 

 

(fotografias de gaza, do site do jornal inglês Guardian)