Progresso (?) no dia internaciona da mulher.
Posted by Filipe Gracio on March 9th, 2010 filed in CrónicasComment now »
Já há uns tempos escrevi aqui sobre isto e queria só por virtude do dia internacional da mulher que passou recentemente retormar e acrescentar algumas ideias que me parecem chave.
Como disse na altura, há coisas que já todos sabemos. Mas porque males adquiridos não são menos maus, convém não os esquecer. Por isso antes de continuar, eis alguns factos que convém não esquecer:
- Em portugal as mulheres ganham 40% menos dinheiro do que os homens.
- Apenas 25% do parlamento português são deputadas. E para não se pensar que é um problema só nosso, a média nos parlamentos dos países desenvolvidos é cerca de 20%.
- A participação feminina nos governos Europeus é entre 10-20% (e estamos a falar das “democracias” ocidentais).
- Nas posições empregadoras (as de topo), no mundo ocidental industrializado, as mulheres são apenas 20%.
- Por outro lado são 70% da força de trabalho doméstico não pago
Tudo isto são dados das Nações Unidas e do Forum Social Internacional – Gender Gap Report 2007.
Boa parte das pessoas que conheço (mesmo as atentas e bem intencionadas) encara isto como um problema distante, típico de paises subdsenvolvidos, por ventura concentrado em alguns países estranhos como a arábia saudita ou a etiópia etc, e portanto risca o assunto da lista de coisas relevantes para resolver. A percepção geral de grande parte das pessoas que encontro é que este é um problema ou distante, ou do passado. Não é.
Na minha opinião na raiz do problema está um problema cultural de condicionamentos e espectativas. Num exemplo o Público tem como titulo de uma notícia: “portugal acima da média mundial de representação feminina no parlamento”; igualmente verdade seria dizer, ‘portugal ainda muito aquém de igualdade género’. Os comentários à noticia são idênticos: louveres à sociedade portuguesa que discrimina ligeiramente menos que as outras. A escolha do título (e dos comentários) é ilustrativa e representa uma mentalidade específica. A espectativa, mesmo nos meios intelectuais informados e urbanos (com um grande jornal) é baixa.
De facto convém reconhecer que um grave impedimento ao progresso é a fantasia de que os assuntos estão perto de estar resolvidos, quando na verdade não estão. A esse processo não escapa o papel da comunicação social em uniformizar por baixo o papel das espectativas e impor os condicionamentos.
Outro assunto que convém pensar é a natureza da emancipação feminina. Haver mais mulheres a dizer que se sentem emancipadas é algo que se deve encarar com um grão de sal. Seria ingénuo pensar que a classe masculina que detem a maioria das posições de poder (intelectual, artistico, politico, media, executivo, patronal, etc) não “direcciona” a emancipação feminina para onde mais lhe convém. Obviamente que não se deve pensar que há homens a planear a emancipação feminina, simplesmente importa reconhecer que todos nós fazemos parte de uma sociedade que tem regras sociais, às quais obedecemos, que suportam uma cultura vigente.
Já citei Doris Lessing, e cito de novo:
Não há um sistema de educação que não seja um sistema de doutrinação. Aquilo que nos é ensinado é uma amalgama dos preconceitos e escolhas da cultura presente, e qualquer olhar para a História mostra o quão impermanentes estes são. Somos ensinados por pessoas que chegaram a essa posição porque se acomodaram a um sistema montado pelos seus predecessores. É um sistema que é auto-prepetuante. Estamos sempre e constantemente a ser moldados e estruturados para servir as necessidades específicas e estreitas desta sociedade
Portanto os caminhos disponoveis à emancipação feminina não estão totalmente livres. E isso é uma realidade que todos fariamos bem em reconhecer – homens e, também, as mulheres. Não é por acaso que a emancipação sexual precorre um caminho mais fácil do que a emancipação laboral e cívica. Uma visão possível da situação que existe na prática é que, a mulher pode expressar-se como quiser desde que fique no seu sítio. Não é esse o discurso público, mas é essa a realidade prática.
Para começar a melhorar a situação, importa que todos nós continuemos a forçar o progresso na vanguarda que, como de costume, tem uma enorme inércia e uma enorme dificuldade em aceitar os seus próprios problemas.
Inquéritos?
Posted by Filipe Gracio on March 5th, 2010 filed in CrónicasComment now »
Agora que os despojos da guerra do iraque começam a ser distribuídos foi a vez de Gordon Brown ser ouvido nos inquéritos internos do reino unido a propósito da dita guerra. Os inquéritos são louváveis e a guerra diz-nos respeito. Todos nos lembramos que o nosso amigo e ex-primeiro ministro foi devidamente reconpensado pela ajuda diplomática com o cargo de presidente da comissão europeia. O envolvimento do dito sr está ainda por explicar e nós, obdientemente, temos correspondido com o maior apoio político para que ele desempenhe o seu cargo.

Queria só salientar algumas das coisas que o Sr Brown disse.
Uma delas foi que “[a guerra] foi uma decisão certa, pelos motivos certos”. Os motivos que foram apresentados foram as famosas “wepons of mass destruction”, que Colin Powel apresentou (mentindo) às Nacoes Unidas. Todos sabemos agora que não havia quaisquer armas de destruicao massissa, mas talvez o Sr Brown ainda não saiba, está certamente desactualizado. Desculpamos o erro, talvez então o motivo seja outro. De facto outro motivo normalmente apresentado é a noção de que o iraque estava a dificultar a colaboração de inspecções das nações unidas. É o motivo apresentado, mas sofre do problema de ser uma grave distorção da verdade. Pelo menos a acreditar no que diz o próprio inspector das Nações Unidas, Hans Blix, que dizer ser “falso” o argumento de que o iraque estava complicar as inspecções. Naturalmente Saddam era um Sr detestável, mas isso nao iliba o Sr Brown / Blair / Bush / Barroso etc, de nos terem mentido, e continuarem a mentir.
Outra afirmação de Brown: “não podemos ter uma comunidade internacional se houver terroristas que ignoram as regras ou Estados egressores que não cumprem a lei da comunidade internacional”. Estamos todos de acordo. Há só dois problemas: Primeiro, isto não justifica de nenhuma forma a invasão unilateral do iraque, decidida fora do âmbito das nações unidas por um punhado de países. Se justificasse, então qualquer país (digamos a rússia por exemplo) poderia sentir-se justificado em invadir (por exemplo) israel por este estar em constante violação da lei internacional nos territórios ocupados. Eu não acho que isso seja justificával no caso de israel (e suspeito que Brown também não), e portanto é obvio que não é justificável no caso do iraque.
Segundo problema: a afirmação do Sr Brown é especialmente hipócrita porque a guerra que ele procura justificar com a pretensa violação da lei internacional por parte do iraque, ela própria (a guerra) foi em violação da lei internacioal. Por isso, as palavras do Sr Brown serviriam também para justificar uma ivasão do reino unido. Claro que não justifica, e claro que não justifica no caso do iraque também.
O Sr Brown, que deseja que se “cumpra a lei da comunidade internacional”, explicou também, que “teve até ao fim esperança que as coisas se pudessem resolver pela via diplomática” mas as coisas não resultaram porque “as Nações Unidas estavam a impedir uma resolução do assunto”. Ou seja, o resto mundo não estava a querer seguir a vontade inglesa (coordenada do outro lado do atlântico). É’ essa a definição de “lei da comunidade internacional” que o Sr Brown quer ver cumprida.
Por fim, e de novo quanto à lei, o Sr Browm assegura-nos que o Procurador geral ingles garantiu que a guerra era legal. Isso é óptimo. Da proxima vez que algum país pensar em invadir um outro, desde que tenha um funcionário interno a ganrantir a legalidade, está tudo bem. Por uma lógica semelhante podemos imaginar que se o Procurador Geral espanhol decidir que é legal invadir portugal, então tudo estará de acordo com “as leis da comunidade internacional” e que isso não é de todo um caso de “um Estado agressor”. Imagino que na alemanha nazi dos anos 30 também tenha havido alguém que tenha justificado a invasão da polónia como legal.
O discurso é de uma hipocrisia assustadora. Houvesse alguma justiça séria, todos estes senhores correriam o risco de ser postos a julgamento (como Karadzic e Milosevic por exemplo). Felizmente para eles, a justiça não se aplica aos mais fortes. O que nos resta, a cada um de nós, é impedir que a europa (que agora pretensamente tem uma diplomacia comum), que o nosso dinheiro, que o nosso exército, seja alguma vez mais chamado para uma vergonha deste tipo.
Gaza: o Mundo contra o Chefe
Posted by Filipe Gracio on March 1st, 2010 filed in Observações2 Comments »
Já que tenho falado do assunto algumas vezes, parece-me justo referir que portugal esteve, desta vez, do lado certo.
A assembleia geral das Nações Unidas votou na sexta passada uma resolução que pedia “investigações credíveis” quer a israel quer à autoridade palestiniana, relativamente ao conflito em Gaza no inverno de 2008/2009. Podem ver noticias da Amnistia Internacional e a Human Rights Wacth respectivamente aqui e aqui.
A resolução, cito, ”enfatiza a necessidade de responsabilização em relação a violações dos direitos humanos”.
A comunidade internacional votou toda a favor da resolução (incluindo portugal). Mas, contra o pedido de investigação, contra a responsabilização de violações dos direitos humanos, votaram os estados unidos, israel, canadá, e mais 4 protectorados americanos (micronésia, palau etc…).
Mais uma vez a superpotência faz o que quiser e pouco lhe interessa a comunidade internacional. portugal votou com o resto do mundo, a favor do óbvio.
O movimento slow da mentalidade nacional?
Posted by Luis Azevedo Silva on February 25th, 2010 filed in CrónicasComment now »
Actualmente estou a ler vários livros. Sou uma espécie de Marcelo Rebelo de Sousa mas na vertente amadora. Leio informações mais técnicas ou documentais, o que não implica um desdobramento emocional, que podia causar a confusão entre as diferentes personagens dos diversos romances ou dramas.
Um dos livros é sobre o movimento slow e a necessidade de abrandarmos o nosso ritmo de vida. Não só na vertente do trabalho mas também na vertente social, citadina, sexual, familiar e gastronómica. É um livro interessante que nos dá os dois lados da história: como as pessoas aumentaram a velocidade em tudo o que fazem (porque fazer muito está associado a eficácia e inteligência) e como agora se apercebem que o contrário é bem melhor e proveitoso. Resumindo: quantidade não é qualidade, já dizia a velha máxima popular. É bom ser rápido quando assim o é exigido mas não a toda a hora.
Optei por concentrar-me na vertente gastronómica por um motivo simples: não me identifico com os estilos de refeições descritas no livro. E percebi que, em Portugal, só nos últimos 10 anos (?) entrámos nesta onda. Eu não fui criado a comer fast food sentado no sofá. O nosso sistema era o de “comer juntos à mesa, num determinado horário”. Não só comi comida feita pela mamã, como comi em família. E reparei o mesmo numa recente visita a Itália. O hábito (saudável) mantém-se.
Isto para levantar uma dúvida: é possível que isto seja um espelho do atraso industrial de Portugal (dos PIGS – Portugal, Italy, Greece, Spain, como nos tratam no mundo desenvolvido)? É possível que isto seja um reflexo do nosso atraso cultural? Vejamos: os “mais velhos” tiveram mães presentes porque estas não estavam inseridas nos mercados de trabalho. A mãe ficava em casa a cozinhar e a escolher os melhores produtos (que seriam, na altura, fruto da exploração agrícola, directamente do coração da Terra).
E o estilo perpetuou-se: a mulher continua a ser “mulher”. A progenitora que toma conta da família. Provavelmente, cada vez menos mas ainda o é. A juntar à sua carreira, continua a acumular o papel de mãe. Que faz a comida para a família, que vai ao supermercado escolher os ingredientes e que os serve à mesa depois de um dia de trabalho.
O objectivo não é defender o ponto de vista conservador de que é esse o papel da mulher nas grandes famílias. É até o contrário: estaremos ainda tão atrasados nesta mentalidade que não percebemos o peso da responsabilidade que as mulheres têm de carregar durante a sua vida?
Assassinatos
Posted by Filipe Gracio on February 21st, 2010 filed in CrónicasComment now »
Se um membro da ETA matar um membro da guarda espanhola, isso é errado e todos diriamos que é terrorismo. Se alguém na venezuela assassinar um comandante da CIA isso é errado, e todos diriamos que isso era perto de um acto de guerra.
E quando a Mossad (a policia secreta de Israel) assassina um comandante do Hamas, isso não é diferente (ver aqui, aqui e aqui). Se isso for permitido então o inverso também tem que ser premitido, e temos que considerar legítimo que palestinianos assassinem comandantes Israelitas ou Americanos. Eu não considero legítima nenhuma das situações, e quero que a Europa não considere legítimo que qualquer país decida arbitrariamente levar a cabo assassinatos politicos daqueles que chama inimigos.
Israel tem uma longa história de desrespeito pela lei, e por qualquer sistema judicial (que não o próprio), e revoga-se o direito de assassinar indiscriminadamente sem ofrecer justificações – aqui e aqui. Nada disto é segredo e por isso é interessante ver a suposta onda de “indignação” que os chefes de governo de alguns países estão a fazer passar.
Não é possível acreditar que algo disto é verdadeiramente sério. Se fosse um resposta genuina guiada por uma crença de que esta foi uma acção errada, então todas os exemplos de acções (assassinatos e raptos) anteriores teriam tido consequências. Como é óbvio não tiveram, e não têm. A conclusão é óbvia: se nunca houve problema em assassinar e raptar, desta vez também não há.
A pergunta que sobra é então: porque é que o reino unido e outros decidiram levantar o assunto? Dois motivos: para fingir que se preocupam, e para enviar uma mensagem de que os próximos assassinatos politicos têm que ser às escondidas, sem envolver nenhuma cumplicidade europeia. Na verdade o que desagradou os europeus, foi o facto de terem sido usado passaportes europeus. Uma espécie de: “faz o mal que quiseres, desde que não nos envolvas”. Como europeu eu não quero que o mal seja feito às escondidas, quero que não seja permitido, ou no mínimo, criticado!
As noticias, como de costume, são o espelho da opinião politica que centra a questão nos passaportes ignorando por completo o assunto do assassinato politico. Um resumo das reacções dos media ingelses aqui. A impresa israelita (como seria de esperar) por seu lado, acha que o problema está em não terem conseguido esconder o crime – mas não o facto de crime existir.
Os assuntos internacionais são uma espécie de máfia. Uma máfia minimamente educada e controlada, mas no essencial a lei é irrelevante e o principio operacional é o do poder do mais forte. Agora os nossos chefes são aliados do Padrinho em controlo, e por isso aceitamos todos a máfia.
Sambas
Posted by Ruben S on February 15th, 2010 filed in CrónicasComment now »
Face às notícias que têm passado na televisão nos últimos tempos, apetece-me emigrar definitivamente para outro país, físico ou mental, coisa que às vezes, mas só às vezes, me acontece. Tenho episódios esporádicos de fuga à informação mediática, porque esta é de uma crueldade intolerável. Mas não vou emigrar tão cedo. De momento, posso apenas dizer que estou verdadeiramente chateado com a politicalha portuguesa – coisa que em mim não é de estranhar, mas podíamos ter um poder executivo mais competente e menos cheio de si, e uma oposição menos kinder garden, não é? Com isto, muitas cabeças de ideologias e maneiras de pensar diferentes concordam.
Podemos ir a coisas concretas. O país vive de telenovelas, é um soap opera junkie com receio de estar perante uma realidade mais factual e crua. Em detrimento da verdade científica, que a todos verdadeiramente assusta, e de um jornalismo mais sério, o que vai para as cabeças das pessoas é aquilo de que elas mais precisam, coincidindo isso muito frequentemente com o que os espertalhões do lucro acham que elas precisam – ficções. Crêem eles que a mentalidade do povo é historicamente inalterável, e que portanto o que foi bom para o povo nos anos 50, é bom para nós, povo, inofensivo povão de agora, e que portanto os anos 50 se repetem ciclicamente. Sempre fomos mulherezinhas caseiras dos anos 50, esposas ideais. Mas sempre fomos também mais do que isso, e somos mais do que isso e mais do que é suposto sermos, duro povão de agora. Se um indivíduo quer saber coisas, é porque o povão inteiro quer saber coisas, ainda que de uma forma parcamente consciente, como que um desejo latente de saber coisas. Sim, porque o enredo é mais confortável, mas a verdade vem ao de cima, é como o azeite, e as pessoas querem-na, ainda que a medo. Mas para os chicos espertos que gerem a comunicação social, essa vontade não gera receitas, porque a verdade não estimula o consumo de bugigangas e calorias.
Eu queria, com este post, falar da hipotética compra da TVI pela PT, assunto que muito se tem falado, mas pus-me a falar de coisas universais. E parece-me a mim que este caso específico é um exemplo do que falei – um argumento, uma história que gera lucro, porque as pessoas gostam de telenovelas. Isto é válido tanto para a RTP como para a TVI, que são iguais no que respeito ao móbil.
Eu não percebo nada deste assunto, mas se se provasse que o governo apoiou a proposta da aquisição da TVI pela PT, isso seria de facto muito grave, porque implicaria que o governo poderia estar a influenciar a escolha editorial da TVI. De qualquer modo, alguém vai ficar a ganhar com esta telenovela – isto é uma maravilha para a oposição, particularmente para os cabecilhas do outro gang, o PSD, que agora têm uma telenovela só deles, com um fim espectacular marcado para o dia 26 de Março. Enredos, sempre enredos… E pouco mais.
Investigações
Posted by Filipe Gracio on February 1st, 2010 filed in CrónicasComment now »
A Human Rights Watch, e a organização israelita B’tselem e o Goldstone Report, documentam entre os crimes cometidos por Israel (além de todo o cerco de gaza, e a natureza puramente ilegal da operação militar do ano passado):
O uso de bombas que explodem em centenas de pequenas flechas cujo objectico é matar indiscriminadamente num raio de centenas de metros.
A destruição de infraestruturas básicas como distribuição de áqua.
O bombardeamento das instalações da ONU
O uso de fósforo branco, que provoca queimaduras graves, em zonas populosas
A execução de civis que tinham bandeiras brancas
Casos de familias de civis que foram conduzidas pelos soldados israelitas para casas que, com os civis lá dentro, foram bombardeadas matando todos os ocupantes.
Tudo dentro deste estilo.
Fontes do anteior: aqui, aqui, aqui e aqui.
O estado de israel vem agora dizer que está a concluir investigações internas sobre o que aconteceu. Os resultados dessas investigações seriam hiliriantes senão trágicos e profudamente perturbantes. Para dois dos responsáveis intermédios na hierarquia do exército, houve repreensões verbais (sem nenhuma consequência prática claro). Já agora diga-se que o Hamas, não parece ter feito melhor e limita-se a negar que tenha disparado sobre civis. Terroristas estão bem para terroristas.
Entretanto, sabemos também por exemplo que policias israelitas que balearam um activista americano na cara, não vão ser investigados. (imaginem dois policias portugueses a balearem um americano desarmado na cara… imagino o escândalo)
Mas se reprensões verbais ou impunidade total parece demasiado ligeiro, há mais uma conclusão de crime. Dos 130 processos abertos pelo exército em relação ao massacre do ano passado, um, apenas um, teve uma admissão de culpa. O exército admitiu que um soldado roubou um cartão de crédito a um palestiniano.
O sinal que enviam é claro: as investigações não são para levar a sério, e tudo o que a comunidade internacional pode esperar são patetices deste tipo.
Armas
Posted by Filipe Gracio on January 30th, 2010 filed in CrónicasComment now »
Em Abril do ano passado, o presidente americano, anunciou a sua “visão” de um mundo sem armas nucleares. Pouco depois, a implementação dessa visão gloriosa foi um passo muito modesto: um acordo de itenções para reduzir algumas centenas de ogivas nucleares, entre os vários milhares que a rússia e os estados unidos têm.
De facto não há nada de especial nisto. Nenhum dos paises têm necessidade de ter ogivas suficientes para destruir a Terra várias vezes. Uma vez basta. E por isso reduzir algumas centenas, no meio de vários milhares, é muito vistoso para as notícias, mas na verdade pouco importa.
Entretanto, no que respeita ao que importa, os negócios de armas continuam quer para a rússia quer para os estados unidos. A rússia vende 1.8 biliões de dolares de armas à líbia (um regime repressivo e ditatorial) – ver aqui e aqui. Os estados unidos por outro lado (principalmente para lembrar à china quem é o dono do mundo) vendem 6.4 biliões de dolares em de armas a taiwan – ver aqui e aqui.
É necessário portanto termos sempre presente o compromisso com a paz que os benévolos governantes das potências mundiais têm. Na teoria; porque na prática os factos não colaboram com a conversa.
Uma Homenagem
Posted by Filipe Gracio on January 27th, 2010 filed in CrónicasComment now »
A Howard Zinn, que morreu hoje.
MLK
Posted by Filipe Gracio on January 18th, 2010 filed in CrónicasComment now »
Hoje foi o Martin Luther King day aqui pelos EUA – é feriado nacional. Todos recordam o Reverendo pelo seu activismo a favor dos direitos da população negra nos Estados Unidos. Quase todos hoje reconhecem a justiça da sua luta nesse campo.
Menos reconhecida é a sua feroz luta contra a guerra (do Vietnam na altura) e contra o governo americano. O governo a que ele chamou “o maior distribuidor de violência no mundo”. A grande maioria dos seus argumentos são completamente transponíveis para as guerras de hoje. As guerras da NATO (lideradas pelos EUA), e portanto as guerras em que participamos nós, portugueses, também.
Um preview:
Mas recomendo vivamente o discurso na integra que podem encontrar aqui:
http://www.democracynow.org/2010/1/18/dr_martin_luther_king_jr_1929